A água, dos quatro elementos essenciais da vida terrena, talvez seja o mais importante. Sim, pois, o sol sempre está lá, parece imóvel, continuamente fornecendo energia. O ar, com seus movimentos geralmente suaves, está sempre disponível oferecendo seu oxigênio. A terra é estática, embora pronta para fazer germinar as sementes nela lançadas. Enquanto a água é movimento constante, é mudança, é força que flui, transforma-se.

Ora é rio, ora é oceano, ora é lençol freático, depois é nuvem, cai em forma de chuva ou de neve ou está congelada em outro lugar. Sabe-se que a água, ao longo de toda existência da Terra, sempre foi a mesma. A mesma quantidade, com a mesma composição química: duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio.

Sabe-se que só há vida onde tem água. Em geral, a primeira investigação feita em uma missão espacial, para algum planeta distante, é para saber se naquele planeta tem água. Água é sinônimo de vida. Se não tem água, não tem vida. Isso tudo pode nos levar a uma grande reflexão: se a água sempre foi e é a mesma, em pequena ou grande quantidade, nela está presente a vibração da vida de todas as espécies de seres vivos, de todos os lugares, de todos os tempos.

Então podemos deduzir que, qualquer porção de água já deu, um dia, vida às árvores, aos vegetais, a todas as espécies de seres vivos, dos grandes dinossauros aos pequenos insetos. Um dia ela já foi vida em todas as espécies de peixes, em todas as espécies de aves. Ela já foi rio, todos os rios do planeta, foi oceano, todos os oceanos do planeta. Foi neve, compactou-se em geleiras e formou os grandes glaciais. Em algum momento ela evaporou, foi ao céu, formou as nuvens, caiu em forma de chuva, regou todos os jardins, foi até o subsolo e formou o lençol freático.

Conclui-se então, que a água contém em suas moléculas a energia, a vibração de todas as espécies vivas de todos os tempos e de todos os lugares sob todas as formas de ser. Sendo assim, ao bebermos um pouco dela, estamos “comungando” da energia vital que ela traz, de todos os seres e de todos os tempos e lugares.

A “irmã” água é, portanto, sagrada, deve ser reverenciada. É veículo que nos conecta com todo o sempre e com toda a vida preexistente no planeta Azul. Ela nos torna irmãos da grande comunidade planetária, da qual somos um dos elementos.

Nos últimos tempos o ser humano vem se dando conta do quanto fez e faz mal à água, quanto a polui, quanto tem “matado” os rios. Mas, apesar da ‘maldade’ humana, a natureza é pródiga, ela insiste em continuar nos proporcionando a vida: a água no rio Tietê, em São Paulo, ‘morta’ pelo lixo e esgoto despejados em seu leito, por exemplo, a dezenas de quilômetros da capital paulista, como que tomando banho em si mesma, purifica-se. Volta a ser água viva para milhares de espécies que precisam dela para sobreviver.

Quero crer que, pela consciência cada vez maior que temos de preservar e cuidar da Terra, não chegaremos ao ponto de sermos excluídos do planeta, por falta do elemento água, indispensável à nossa sobrevivência. Tomemos consciência, portanto, do quanto precisamos fazer, da transformação de mentalidade que devemos buscar para que a nossa “casa” seja habitada por seres humanos de mente e atitudes menos “poluídas”.

Por Vilson Rafael Stolf | Parapsicólogo Clínico
22/03/2018