Curandeiro, santo, médium ou feiticeiro: o que eles têm em comum? Para a linha científica e independente de Parapsicologia, especialmente para o Sistema Grisa, o que eles têm em comum é um alto grau de paranormalidade. Mas, para que a Parapsicologia chegasse a essa conclusão e a tantas outras, antes foi preciso percorrer uma trajetória de descobertas, que começou com o estudo dos fenômenos paranormais.

Primeiras descobertas

Por isso, primeiramente, de acordo com Grisa (2014, p. 22, grifo do autor), “Parapsicologia é a ciência que estuda os fenômenos paranormais”. Essa é, historicamente, a primeira definição de Parapsicologia, é a definição clássica.

Os fenômenos paranormais, por sua vez, segundo Grisa (2014, p. 23), “[…] são fatos, acontecimentos, eventos que extrapolam o convencional, o comum, o que se considera normal”. São considerados anormais, pois são vistos como fenômenos extraordinários: maravilhosos ou assustadores, como milagres ou possessões demoníacas.  Fenômenos, historicamente, atribuídos a seres do além, entidades espíritas, diabos, anjos ou, ainda, atribuídos à sorte ou ao azar.

Porém, essa forma de entender ou classificar os fenômenos paranormais não satisfez o espírito cientista dos pesquisadores, que buscavam uma causa mais lógica para explicá-los. Para isso, os estudiosos passaram a coletar fatos e dados para, depois, analisá-los, compará-los e classificá-los, buscando elementos repetitivos e constantes, que pudessem determinar as leis ou os princípios que regem o funcionamento desses fenômenos.

Escolas parapsicológicas

É importante saber que, o método utilizado para estudar e analisar os fenômenos paranormais varia conforme os interesses e necessidades de quem realiza a pesquisa. No Brasil, por exemplo, existem três grandes grupos, correntes ou escolas parapsicológicas:

A Escola Católica de Parapsicologia, que vê a paranormalidade como doença. A Escola Espírita de Parapsicologia, que atribui os fenômenos paranormais ao mundo dos espíritos ou do além. E a Escola Científica e Independente de Parapsicologia, que entende a paranormalidade como um potencial mental e natural de todos os seres humanos.

O Sistema Grisa pertence à Escola Científica e Independente de Parapsicologia, por isso buscou uma explicação mais aqui e agora para a manifestação dos fenômenos paranormais. E foi essa busca, livre de crenças ou ideologias religiosas, que levou os estudiosos à verdadeira origem desses fenômenos, surgindo, assim, a primeira grande constatação parapsicológica:

Sempre que ocorre a manifestação de um fenômeno paranormal, está presente um ser humano ou um grupo de pessoas. Ou seja: os fenômenos paranormais são desencadeados pelo ser humano.

Em seguida, questionou-se: o que poderia haver, dentro do ser humano, capaz de desencadear a manifestação desses fenômenos? Ao buscar o quê, ou onde no ser humano estaria armazenado esse potencial, os pesquisadores da Parapsicologia, baseados em estudos e pesquisas também já realizados por outras ciências, constataram que, conforme Grisa (2014, p. 31, grifo do autor), “O agente efetivo desencadeador da fenomenologia paranormal é a Mente Humana”.

Com a nova descoberta surgiram, também, novos questionamentos: como funciona a mente humana para desencadear e direcionar a energia capaz de produzir os fenômenos paranormais? E assim surgiu a necessidade de conhecer mais e mais o ser humano, seu psiquismo e sua personalidade.

É a partir, portanto, desta sequência de descobertas, que foram sendo definidos, pouco a pouco, os objetos de estudo da Parapsicologia e os conceitos que a embasam.  Se antes, por um lado, Parapsicologia era a ciência que estudava apenas os fenômenos paranormais, agora, por outro, é a ciência que estuda os fenômenos paranormais, o ser humano, a mente humana e a personalidade.

Por Andréia Reif Zanella
17/01/2018